terça-feira, 18 de novembro de 2008

Por quê colocar livros em uma parada de ônibus?


Os espaços devem ser ocupados no sentido de potencializar a sua existência. Nossa comunidade urbana é especialista em produzir uma imensa quantidade de áreas inúteis, que na falta de uma boa iniciativa, acabam sendo deixadas de lado... ignoradas.
A cidade é uma zona de convivência, mas parece que com-viver é o que menos fazemos. Circulamos com nossos objetivos bem delineados e poucas coisas nos fazem parar e observar os outros que passam. Isso acontece mais ainda com quem viaja sozinho em seu automóvel, uma caixa metálica separa o ambiente interno do externo.
A Estante Pública aproveita um espaço inutilizado e cria uma área de estar, um ambiente lúdico de descontração. A metáfora nos ajuda a dizer as necessidades da alma. Esse desejo de criar no cotidiano possibilidades de encontro, de contato. O fato da Estante "ser pública" é justamente a ironia de existir sem permissão e ao mesmo tempo oferecer algo em troca.
Os espaços públicos existem para o público, que somos nós, todo esse povo que circula nas ruas é criador dessa realidade, afeta e é afetado pelo ambiente. Quando é que vamos colocar a mão na massa e nos responsabillizar por isso?
A Estante Pública é um ato cívico que se vale do vandalismo como rompante de expressão. Somos tão comportados não mexendo no que é dos outros que esquecemos de agir naquilo que é nosso. Como entendemos que o que é público não nos pertence temos a justificativa de não precisar contribuir com nada. Por uma moral respeituosa, acabamos por não criar coletivamente. Podemos mudar a ordem das coisas! E isso não é falta de educação, isso é vida na mais alta experiência.
Em última análise, a Estante Pública é um teste de responsabilidade. Atua em um paradoxo da nossa realidade urbana, até que ponto posso mexer no que é do outro? Como posso criar sem destruir? Como atendo as minhas regras individuáis sem ferir as do outro? São armadilhas da vida público-privada... precisamos desarmá-las.
Você é o responsável. Preserve os livros, respeite o próximo.