quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Início, Meio e Fim.

É difícil conviver com a realidade do tempo. Ele existe para todos, se algo está vivendo significa que está envelhecendo, ou pelo menos está em processo de mudança. A Estante Pública n°1 teve o seu tempo. Conviveu com o bairro elegantemente, era companheira dos trabalhadores e estudantes que esperavam seu transporte. Foi soberana a chuva e resistiu aos ventos. Mas, como toda materia viva, sofreu as mudanças do tempo. Depois de 2 meses já apresentava sinais de desgaste.
Uma boa vida tem boas histórias, a Estante com certeza tem várias. Viu o que muitas pessoas não percebem, o dia-a-dia. Esteve presente no mais cotidiano dos atos, presenciou emoções totalmente diferentes, foi tocada por muitas intenções, as vezes abusada e outras vezes acariciada. Isso se notava, sua estrutura mostrava um processo.


Retirar a Estante não foi um acaso, foi um ato muito bem pensado e elaborado, como todo o luto deve ser. Sua despedida aconteceu intimamente com cada pessoa que se aproximava e não a encontrava, a sua lembrança é seu valor.

Essa primeira história acabou, fez seus laços, estabeleceu contato. Agora uma nova estante pode surgir, em outro lugar, com uma outra perspectiva. Haverá aceitação dos novos vizinhos? Como os transeuntes vão acolhe-la? Será possivel uma nova história? São perguntas que queremos fazer, vamos experimentar...


FIM da primeira parte.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Entre Revistas e Pedras

O tempo (des)constrói a estante instalada. Agora se observam diferentes revistas, manuais de instruções, guia telefônico, histórias em quadrinhos e poucos livros. As pedras que pesam sobre este material simbolizam um suspiro de cuidado trocado que as pessoas depositam sobre a arte. São pedras de diferentes tamanhos, com diferentes intenções. São revistas e escritos de diferentes formatos, diferentes conteúdos. Para muitos que passam pelo local, o conteúdo literário atual é quase que insiginificante. Notícias de revistas velhas, guia telefônico de muitos anos atrás...manual de instrução de um equipamento único. O fato é que poucos livros estão ali no local onde deveriam estar.


No entanto, a troca perdura. Ainda existe cuidado. O inusitado invisível derrama uma poção mágica e se transforma em uma prateleira carismática.

Seguimos juntos.

Uma nova sessão se aproxima para ser instalada. Estante Pública nº 2...Quem arrisca a metáfora?