terça-feira, 7 de abril de 2009
Movimento Coletivo
Queremos iniciar um convite. Nesse primeiro momento provocar um clima.
A próxima estante, a de n°3, merece ser instalada com a participação de quem já faz parte dessa rede. Pessoas que de alguma maneira já se conectaram íntimamente com a sensação de pertencimento nesse processo.
As ações urbanas são efêmeras, se montam a partir de interferências multi-vetoriais complexas, porém o mais importante talvez é que consigam estabelecer um diálogo. Ou seja, que sejam suficientemente acolhedoras para possibilitarem uma construção coletiva. Com certeza essa abertura para o diálogo exige humildade e respeito, por que não se está impondo uma verdade, mas sim se propondo uma ampliação da realidade.
Em breve estaremos fazendo a montagem da 3° estante e achamos que para esse movimento ser efetivo a participação de vocês é necessária.
Nos próximos dias estaremos divulgando local e a temática, além de algumas idéias do que podemos estar levando para essa celebração.
Nossa cidade é nosso ponto de encontro, vamos sonhar!
um abraço,
Nômades
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Um fato é...
Que a Estante Publica 2 não foi bem acolhida pelo bairro Moinhos de Vento,
Que no seu segundo dia já não haviam mais livros só abandono e egoísmo,
Que as pessoas interagiram muito pouco com o novo,
Que poucos se abriram para uma experiência nova e deixaram livros na estante,
E quem são estes poucos?
Que decidimos colocar chaves como um chamado mudo de participação,
Que houve respostas sim! Estamos vivos! Gerou interação, ainda que pouca,
Que alguns entenderam a ironia e deixaram brilhantemente revistas Veja que falavam de dinheiro, economia,
Que outros poucos deixaram revistas Caras. Essa foi exata!
Mas que tantos e tantos, ainda não viram a estante. Nem sequer a curiosidade os instigou a participarem, a deixarem algo ali. Ao menos uma palavra com a pessoa que está perto, uma crítica, um elogio, uma pergunta, uma interação...
Não paramos mais para nada! Nada importa de novo nessa vida. É complicada a cultura fechada em que vivemos, na qual não nos atrevemos a falar com as pessoas nas ruas através de um estímulo inusitado. Razão pela qual somos um povo com muita personalidade e de difícil entrega ao conhecer o novo.
Tu que estás lendo isso agora, te pergunta: lembra-te do diálogo por mais breve que tenha sido com a pessoa que estava ao teu lado ao ver a Estante? Penso que isso deve ser estimulado se a troca material não foi bem acolhida pelo bairro e pelas pessoas que transitam por ali.
Trocar experiências de emoções é desenvolver uma inteligência não identificada.
Aron K.L.
domingo, 29 de março de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009
Você abre, ou fecha a porta?
Buscamos sempre expansão: financeira, amorosa, corporal, cognitiva... Não importa.
E X P A N S Ã O
Ou, ao menos, assim deveríamos.
Olha ao redor. Tudo está, agora mesmo, em constante movimento. Infinito mOvIMEntO.
Sem notarmos, ele acontece e nossos passos sincronizam-se.
Não faz o menor sentido existirmos numa vi(d)a de círculos, repetindo funções diárias. Redoma de imensos cotidianos.
Se criamos prisões.
Tu lê este texto e..., damos um passo. Nada vem sozinho.
Foi apenas você e em breve será um outro, consecutivamente, movimento coletivo, anônimo, mas engendrado por um Ato Poético.
Resignificar sentimentos faz parte do nosso processo de evolução.
segunda-feira, 23 de março de 2009
impressões...

Certa vez em 2008, fizemos uma atividade, pela manhã na Redenção e a tarde no Parcão, a pedido de uma confecção de Porto Alegre. A ação consistia em um ator fantasiado de monge tibetano acorrentado a 150m de corrente, era uma manifestação pela libertação do Tibet. Anteriormente no Parque da Redenção percebemos uma grande aceitação e interatividade por parte das pessoas que freqüentavam as vias do Brique, foi realmente muito bonito. A tarde, levado ao Moinhos, mais tínhamos a sensação de estarmos invadindo um espaço privado, uma passarela de desfile. Será mesmo o Bairro Moinhos de Vento de Porto Alegre um bairro fechado as coisas novas? Será essa sua vocação? Com toda essa aparência de “Requinte Europeu” e sofisticação o que fica na prática é a sua caretice. Quem já foi pra Europa com um olhar minimamente atento aos processos sociais e artísticos percebeu como a arte urbana cresce, como ela é viva e está integrada ao seu meio. Quem faz o bairro são aqueles que o freqüentam.
Recordo da estante pública n°1 que transbordava interação das pessoas, não apenas com trocas de livros, mas com recados que eram deixados de uns para outros, em suas páginas constavam dizeres, mensagens, pelo simples ato e prazer da troca.
Não quero me convencer de que cada lugar está fadado a uma única característica. Acredito no movimento e na transformação. Acredito que ao nos apropriarmos destes espaços públicos vazios e transformando-os, resignificando-os, caminhamos em direção a algo mais bonito pra se viver nos nossos dias.
A estante pública não tem vigia, segurança privado ou câmeras de vigilância. Estamos nos tornando uma sociedade viciada em relações virtuais, onde a segurança depende de “controle” e não de educação e cultura, nos viciamos em trancas e no silencio da aceitação quando deveríamos estar mais “abertos”. Estamos regredindo ao desenvolver tanta tecnologia para a guerra e a vigia. Há alguns dias vi na TV uma espécie de “GPS” pessoal. Uma “coisa” que fica grudada no tornozelo das pessoas, um tipo de aparelho “anti seqüestro” ou localizador por satélite. É deprimente ver a televisão propagar este tipo de cultura do medo. Que pra se sentir seguro precisamos de armas, câmeras, grades, cercas elétricas ou geringonças via satélite.
A Estante Pública é um termômetro e quem controla sua temperatura e saúde somos todos nós. Ela reflete o que tem dentro das pessoas, seja num âmbito coletivo ou individual.
Atualmente... ela está sozinha, vazia e triste...
quinta-feira, 19 de março de 2009
RVS - Repórter Voluntário Subversivo
Pergunte para essas pessoas:
1) Você nota algo de diferente nesta parada de ônibus? O quê?
*se a resposta for positiva prossiga, do contrário agradeça e deixe que a pessoa estressada siga seu caminho.
2) O que você pensa disso?
3) Você pegaria algum livro / revista para manusear?
4) Levaria algum para sua casa?
5) Você deixaria algum livro aqui?
6) Quem, em sua opinião, é responsável?
OBRIGADO, ESTE É UM QUESTIONÁRIO DE ABERTURA AO CONTATO.
Caso você vá a campo, compartilhe suas respostas!
quinta-feira, 12 de março de 2009
Estante Pública 2 - Aparências Econômicas
O significado da palavra aparência nos leva a refletir sobre aquilo que não temos ou que não somos. É a fantasia que se veste para assumir um novo estado de espírito perante outras pessoas. Em outras palavras, é a máscara social que escolhemos para desenvolver a nossa forma teatral de viver. Este envolvimento que escolhemos por livre arbítrio assumir deve ser ampliado nas mais diversas relações existentes no mundo. Podemos estender este pensamento, por exemplo, para as relações entre países, governantes, famílias e amigos. É algo que coabita conosco neste mundo e que aqueles com mais habilidade se movimentam nesta realidade, mais inseridos estarão dentro de um sistema em que nós somos as peças reprodutivas do modelo.
As aparências econômicas remetem a uma linha de entendimento em que a busca idealizada é pelo poder. Poder este que não fica atrelado a um campo político. Esta analise precisa ser ampliada. Todos buscam o poder. E uma vez que estamos inseridos dentro de um modelo capitalista em que a moeda de troca para um bom viver é o papel dinheiro, invariavelmente estamos fadados a buscar o poder. Alguns conseguem abstrair um pouco mais esta relação de consumo tentando modos alternativos de viver. Mas mesmo aí onde se tenta buscar uma simplicidade na equação complexa capitalista, o poder está presente em algum nível. O modelo de sociedade de troca é seco e esgotável demais para regredirmos uma cultura consumista que parece ser evolutiva.
O poder que se refere aqui aparece nos mais diversos campos. As pessoas precisam poder aparentar algo para conseguir alguma coisa em troca. Esta troca, reduzida e simplificada ao seu mais baixo grau, significa um preenchimento de status pessoal. O conceito deturpado de status social é algo que o modelo econômico em que vivemos nos colocou. Nos valemos dele como uma verdade absoluta. Ele acaba sendo determinante para galgarmos uma crescente posição sócio-economica-financeira e até mesmo cultural.
Muitos não querem ver que vive em mundo de aparências. Fantasia, realidade transformada. Esta consciência pode nos fazer entender muitos absurdos que antagonizamos em nossa curta passagem pelo mundo. Claro que é frustrante saber que os macro problemas mundiais são ultra complexos de se resolverem, pois o nível de aparência e de poder se dá em outra escala. No entanto, o modelo é o mesmo... Só se repete em diferentes proporções e lugares com diferentes personagens. A nossa passagem requer poesia. Pede por poesia! Este é um poder transformador capaz de assumir a teatralidade da vida e brincar com os enganos das aparências.
Aron K.l
Foto: Danilo Christidis

