sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

(Re)novações de primeira impressão.




Acompanhamos algumas horas da nova Estante 4 entrevistando pessoas que esperavam seu ônibus. Os arquivos trazem textos que servirão de inspiração de troca entre todos que forem curiosos e lerem o que está dentro deles.

O espaço é público, a estante é pública, os livros são públicos, os textos são públicos. E o que é privado? Falando com uma senhora que esperava seu ônibus me disse que a sensação dela era que estava em sua casa, com tudo "bonitinho", com livros que eram conhecidos,...

O privado está justamente aqui. Na sensação de todos que sabem que pertencem a uma parte. E essa parte é o todo ao mesmo tempo. O estímulo está lançado para o convívio. Para a relação. Para o fluxo. E, principalmente, para o processo. Seja ele de entendimento, de harmonia, de estranhamento, de relacionamento, de descaso ou de afetação.

Boas trocas!


Aron K.L.


Foto: Danilo Christidis

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Novo território de encontros

Nesta próxima sexta-feira, 04 de dezembro, ocuparemos um novo bairro. A Estante Pública #4 vai para as imediações do Bom Fim na fronteira com a Independência.
A instalação começa pela manhã na parada em frente ao Hospital Getúlio Vargas.
A nova edição da Estante traz novidades, dessa vez estará aceitando textos soltos, folhas impressas, manuscritos... tudo poderá ser deixado nos arquivos que compõe sua nova estrutura.
Claro que os livros seguem fazendo parte da sua história.
Passem por lá, deixem um pouco de que é seu, peguem um pouco do que é dos outros!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Urbaniexitocidade.

Na terceira edição da Estante Pública conseguimos uma manifestação radical de pertencimento. Com livros que tinham uma temática comum que falavam de questões voltadas a terra - como ocupação e desocupação, imigração, construção entre outros - além de títulos de Geografia e História, a comunidade não suportou a convivência vazia. Em menos de 30 horas a instalação fora acabada. Especulações não nos faltam na tentativa de achar um culpado: um carroceiro que viu ali naqueles quilos de papel o seu almoço garantido, um estudante que se encantou com tantos títulos e viu a chance de enfeitar a sua estante privada de livros, o ser não pensante que depositou sua mais sincera raiva contra o sistema simplesmete levando a instalação para algum lugar distante dali ou o morador da vila que precisava mostrar a sua mais nova posse aos seus amigos e familiares. Não importa o autor. Não me agrada pensar em quem foi a pessoa ou o grupo de pessoas que fez isso.
O que me desperta é um olhar sobre a POSSE. Detenção de direitos inventados a partir de uma lógica individual que respeita e é moldada segundo a experiência de vida particular do indivíduo. Ora vejam vocês. Todos nós temos a vontade de poder possuir algo. Vontade louvável desde que seja coerente com o respeito. E é justamente neste ponto que preciso compartilhar um pensamento desperto.
O ato de apropriação da estante 3 em um golpe só nos escancara uma inquietação que estamos observando ao longo do projeto. É inevitável o desejo ou a necessidade de ter algo. Mais uma vez volto na questão da POSSE. Observamos que a atitude de se apropriar do que é público e transpor para a intimidade privada é um comportamento comum nas pessoas que entraram em contato com a instalação Estante Pública (1,2 e 3). Isto, de certa forma, se justifica pela loucura em que vivemos dentro da cidade na qual buscamos cada vez mais um estilo de vida isolado - em grupos que nos identificamos - reforçando conceitos de segurança e principalmente pertencimento.
Portanto, esta explosão comportamental que presenciamos com relação a estante 3 gera uma reflexão que reforça este pensar. As pessoas querem e precisam se apropriar de algo para justificar sua busca incansável pelo pertencer. As pessoas precisam achar respostas que sustentem sua condição atual de comportamento através de atos que passam a ser questionáveis ao cruzarem a fronteira da convivência coletiva.
O projeto da estante, neste sentido, pode ser ousado ao propor uma troca com pessoas que sequer se conhecem, não se identificam e não se agrupam por afinidades de pensamento indo contra a toda uma lógica pós-moderna de necessidades de agrupamento. Entretanto, é nesta ironia que se busca um caminho.
(IN)felizmente o projeto se reforça e amplia sua discussão. Fica como mensagem oculta aqueles que carecem de uma revisão de valores: que o amor, como prática mais virtuosa da nossa condição de humanos, esteja sempre presente nos seus mais bem vindos sonhos.


Aron K.L

domingo, 10 de maio de 2009

Estante Pública #3


A terceira edição do projeto Estante Pública escolheu o Bairro Cristal como espaço de ocupação. Instalada no sábado, dia 09 de maio, às 16h, teve a presença de diversas pessoas que esperavam seu ônibus em uma tarde ensolarada. A maioria delas fingia não ver o que estava acontecendo, aguardavam seu trasporte reservadas em seus mundos, nao tinham a permissão de fazer contato com algo estranho, afinal tratava-se apenas de um grupo de pessoas que colocava uma estante na rua!
O procedimento aconteceu sem nenhuma interferência, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Foi Fernando, sujeito do bairro, que rompeu o silêncio perguntando do que se tratava. Escutou atento e ficou muito satisfeito com a proposta, sentiu que isso reanimava o espirito de cooperação da comunidade, mas admitiu duvidar que os livros durariam até segunda-feira.
Bem, Fernando teve razão, 24horas depois de instalada, a Estante Pública estava desfigurada, sem mais nenhum exemplar e nem mesmo sua placa de identificção, que agora dava lugar ao vão tradicional.


O povo do Cristal realmente não acolheu a Estante Pública, tornando-a privada. Não possibilitou que as trocas acontececem, particularizaram a experiência e aprisionaram os estimulos. Dessa vez ainda mais seca e rapidamente que na sua última morada no Bairro Moinhos de Vento.
É sabido que a população dessa região é mais carente, que passam por muitas dificuldades e privações, mas será que isso é justificativa para acharmos que eles tem menos capcidade de cuidado. O acontecimento de esvaziamento da estante acaba alimentando um estigma pesado dessa populção.
Mas o importante aqui é podermos ultrapassar esses julgamentos e perceber o fenômeno que se manifesta. Sim, ouve uma falta de cuidado e pouco espírito coletivo, mas isso se acontece por uma série de outros fatores. É no intuito de falar sobre esse outros fatores que a Estante provoca o espaço público, desafia seus costumes e ordens.
É verdade que os livros sumiram e que parte da estante foi desmontada e levada embora, mas quantas outras pessoas não passaram por ela enquanto ainda estava inteira e sentiram sua diferença? Perceberam que podem cuidar e ser cuidados sem obstáculos?
Não podemos abrir mão de experimentar, assim se constroem novas posibilidades, outros formatos.
Qual a sua opinião com relação a maneira como as pessoas se relacionam com a Estante? Por que em alguns bairros ela é bem cuidada e em outros não tanto?
O que você sente com relação ao que é público e o que é privado?
Essas são questões que queremos discutir, participe!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

LEIA COM ATENÇÃO

A Estante Pública continua e tem ganas de ocupar novos territórios, dialogar com diferentes gentes. A versão n°2, instalada na 24 de Outubro, mesmo que um pouco triste frente a indiferença, ainda surpreende com interações auto-gestivas inspiradoras. Tudo indica que todos os livros, revistas e Cd's colocados na Estante nessa semana foi iniciativa de uma só pessoa. Os bilhetinhos fixados nos objetos mostram seu desejo de participação mais ativa da comunidade.



É desse circular de informações que nos nutrimos.
Por isso fizemos adesivos!



Esse blog é o nosso ponto de convergência, aqui podemos compartilhar nossos planos.
E temos um plano!

Queremos propor uma instalação coletiva. Um momento de encontro grupal para realizar um ato aleatório em homenagem as relações. A Estante Pública n° 3 terá como título os Êxodos Urbanos, ampliando o olhar sobre como as pessoas e as comunidades se movimentam no mundo e as consequências disso: imigrantes sendo comercializados na europa, comunidades entre muros na periferia, vírus em trânsito do México... afinal, será que nos movimentamos ou somos movidos?

A 3° estante escolheu o bairro Cristal, próximo ao Barra Shopping, como espaço de sua existência efêmera. A parada de ônibus ocupada está localizada na Av. Chuí, ao lado do posto de gasolina (ver mapa).



Chamamos todos os seguidores e apoiadores da Estante Pública para estarem lá as 16h, no sábado dia 09 de maio, para coletivamente instalarmos esse novo móvel social.
Para participar basta levar um objeto (não precisa necessariamente ser um livro), que para cada um simbolize o tema em questão (Êxodos Urbanos) e colocá-lo junto a Estante. Na ocasião, estará aberto o espaço para leitura de textos. Qualquer manifestação que instigue o relacionamento e respeite a diferença é bem vinda!

Plano resumido:
O quê: Instalar a Estante Pública n° 3 coletivamente.
Por Que: Para conhecermos outras pessoas que querem fazer da cidade um espaço de relação.
Como: Estando no ponto de encontro às 16h do dia 09 de maio e levando um objeto que tenha um significado para deixar na estante.


Deixem comentários nesse post: dúvidas, idéias, motivações!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

De Acordo...



A imagem a cima foi retirada do blog do escritor José Saramago.


http://caderno.josesaramago.org/