
A terceira edição do projeto Estante Pública escolheu o Bairro Cristal como espaço de ocupação. Instalada no sábado, dia 09 de maio, às 16h, teve a presença de diversas pessoas que esperavam seu ônibus em uma tarde ensolarada. A maioria delas fingia não ver o que estava acontecendo, aguardavam seu trasporte reservadas em seus mundos, nao tinham a permissão de fazer contato com algo estranho, afinal tratava-se apenas de um grupo de pessoas que colocava uma estante na rua!
O procedimento aconteceu sem nenhuma interferência, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Foi Fernando, sujeito do bairro, que rompeu o silêncio perguntando do que se tratava. Escutou atento e ficou muito satisfeito com a proposta, sentiu que isso reanimava o espirito de cooperação da comunidade, mas admitiu duvidar que os livros durariam até segunda-feira.
Bem, Fernando teve razão, 24horas depois de instalada, a Estante Pública estava desfigurada, sem mais nenhum exemplar e nem mesmo sua placa de identificção, que agora dava lugar ao vão tradicional.

O povo do Cristal realmente não acolheu a Estante Pública, tornando-a privada. Não possibilitou que as trocas acontececem, particularizaram a experiência e aprisionaram os estimulos. Dessa vez ainda mais seca e rapidamente que na sua última morada no Bairro Moinhos de Vento.
É sabido que a população dessa região é mais carente, que passam por muitas dificuldades e privações, mas será que isso é justificativa para acharmos que eles tem menos capcidade de cuidado. O acontecimento de esvaziamento da estante acaba alimentando um estigma pesado dessa populção.
Mas o importante aqui é podermos ultrapassar esses julgamentos e perceber o fenômeno que se manifesta. Sim, ouve uma falta de cuidado e pouco espírito coletivo, mas isso se acontece por uma série de outros fatores. É no intuito de falar sobre esse outros fatores que a Estante provoca o espaço público, desafia seus costumes e ordens.
É verdade que os livros sumiram e que parte da estante foi desmontada e levada embora, mas quantas outras pessoas não passaram por ela enquanto ainda estava inteira e sentiram sua diferença? Perceberam que podem cuidar e ser cuidados sem obstáculos?
Não podemos abrir mão de experimentar, assim se constroem novas posibilidades, outros formatos.
Qual a sua opinião com relação a maneira como as pessoas se relacionam com a Estante? Por que em alguns bairros ela é bem cuidada e em outros não tanto?
O que você sente com relação ao que é público e o que é privado?
Essas são questões que queremos discutir, participe!